08/07/2021 às 21h54min - Atualizada em 09/07/2021 às 00h00min

Polícia do Haiti acusa cidadãos da Colômbia e dos EUA de envolvimento no assassinato do presidente

Segundo diretor policial, ao menos 28 pessoas participaram do assassinato de Jovenel Moise: 2 cidadãos americanos nascidos no Haiti e 26 colombianos.

Portal G1
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/07/08/policia-do-haiti-acusa-cidadaos-da-colombia-e-dos-eua-de-envolvimento-no-assassinato-do-presidente.ghtml


Segundo diretor policial, ao menos 28 pessoas participaram do assassinato de Jovenel Moise: 2 cidadãos americanos nascidos no Haiti e 26 colombianos. Casa e carro queimados em Porto Príncipe nesta quinta (8) após violência que se seguiu no Haiti após a morte do presidente Jovenel Moise
Estailove St-Val/Reuters
O diretor da Polícia Nacional do Haiti disse nesta quinta-feira (8) que ao menos 28 pessoas participaram do assassinato a tiros do presidente do país, Jovenel Moise, na madrugada de quarta-feira (7). Desses, dois seriam cidadãos dos Estados Unidos com origem haitiana e 26 têm cidadania na Colômbia.

No Haiti, polícia prende suspeitos de envolvimento no assassinato do presidente Jovenel Moise
A agência France Presse, citando o diretor de polícia, diz que dessas 28 pessoas, oito estão foragidas. Os outros 20 suspeitos estão presos ou já foram detidos pelas autoridades — não há muitos detalhes sobre essas prisões.
Seis dos detidos por suspeita de estarem por trás do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, em foto desta quinta (8)
Joseph Odelyn/AP Photo
Autoridades disseram que a polícia e o exército cercaram o grupo desde quarta e conseguiram prendê-los após intensa troca de tiros. Ao todo, sete pessoas considerada suspeitas no complô e no assassinato foram mortas.
Centenas de moradores gritavam do lado de fora da delegacia para onde os suspeitos foram levados, na capital Porto Príncipe, gritando "queimem-nos" e ateando fogo a um veículo que seria dos assassinos, de acordo com a Reuters.
Membros da polícia haitiana procuram evidências fora da residência presidencial em Porto Príncipe, em 7 de julho de 2021, onde o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado a tiros na madrugada
Valerie Baeriswyl/AFP
A polícia haitiana já havia divulgado na noite de ontem a prisão de dois mercenários e a morte de outros quatro que estariam envolvidos na execução de Moise (veja no vídeo abaixo). Três policiais que eram mantidos como reféns foram libertados.
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Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulgou nas redes sociais nesta quinta uma imagem de dois suspeitos presos. Não está claro se a foto é dos detidos de ontem ou de hoje.
Garoto olha em portão fechado na fronteira entre Haiti e República Dominicana nesta quinta-feira (8) após o governo dominicano fechar a fronteira em sequência à morte de Jovenel Moise, presidente haitiano
Matias Delacroix/AP Photo
Lamonthe afirmou que eles são mercenários estrangeiros e "importantes testemunhas para determinar quem os pagou para matar nosso presidente" (veja na imagem abaixo).
O ex-premiê ocupou o cargo entre 2012 e 2014.
Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulga imagem de quem ele diz ser suspeitos pela morte do presidente do país, Jovenel Moise, assassinado a tiros em casa em 7 de julho de 2021
Reprodução/Twitter/Laurent Lamothe
Presidente assassinado
Jovenel Moise foi morto a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe, na madrugada de quarta. A primeira-dama, Martine Moise, foi baleada, hospitalizada e depois transferida para os Estados Unidos, onde está internada em estado grave (porém estável).
O Haiti vive uma grave crise política, econômica e social (veja no vídeo abaixo), com aumento da violência e da pobreza e o governo incapaz de combater a pandemia e de aplicar um programa de imunização contra a Covid-19.
Além disso, Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.
Desde que assumiu o cargo, em 2017, Moise enfrentou protestos em massa contra seu governo —primeiro por alegações de corrupção e por sua gestão da economia, depois por seu crescente controle do poder.
Em fevereiro, autoridades do país disseram ter frustrado uma "tentativa de golpe" de Estado contra o presidente, que também seria alvo de um atentado malsucedido.
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Premiê (e presidente) interino
Nesta quinta, o primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, assumiu provisoriamente o comando do país. Foi o político que anunciou o assassinato do presidente.
Horas após o crime, ele decretou estado de sítio em todo o país, sob a justificativa de reforçar o poder do Executivo e investigar a morte de Moise e os objetivos do assassinato. "Esta morte não ficará impune", declarou Joseph em discurso à nação.
A execução de Moise mudou o que havia sido planejado para o premiê. O seu substituto, o médico Ariel Henry, já havia sido anunciado, mas ainda não tinha tomado posse formalmente por decreto.
Como a transmissão de cargo não ocorreu, Joseph segue como primeiro-ministro interino (e agora também como presidente interino).
Mas Henry afirmou ao jornal haitiano "Le Nouvelliste" que não considera Joseph o primeiro-ministro legítimo. "Acho que precisamos conversar. Claude deveria permanecer no governo que eu teria".
O então presidente do Haiti, Jovenel Moise (ao centro), caminha junto à primeira-dama, Martine Moise; e o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph (à direita), em 18 de maio de 2021, durante cerimônia do 218º aniversário da criação da bandeira haitiana. Moise foi assassinado a tiros em casa, em 7 de julho de 2021, e a primeira-dama foi baleada no ataque noturno e hospitalizada. No dia seguinte, Joseph assumiu como presidente interino.
Joseph Odelyn/AP
Legitimidade
Há uma outra questão de legitimidade, que coloca a liderança do premiê em xeque: pela Constituição, Joseph não está na linha de sucessão por ocupar o cargo interinamente e porque o Parlamento nunca aprovou o seu nome formalmente.
A situação acontece porque, na prática, não há Parlamento: o mandato de uma parcela de legisladores já terminou, mas as eleições para preencher as vagas não foram realizadas em 2019.
Moise governava por decretos presidenciais desde janeiro de 2020 — e, portanto, nenhuma decisão era ratificada pelo Legislativo.
O próximo na linha sucessória, segundo a Constituição do Haiti, seria o presidente da Suprema Corte, René Sylvestre, mas ele morreu de Covid-19 no mês passado, e ainda não foi escolhido o seu substituto.
Imagem de dezembro de 2020 de um protesto em Porto Príncipe, no Haiti
Dieu Nalio Chery/AP
Pobreza extrema
O Haiti é a nação mais pobre das Américas e tem um longo histórico de ditaduras e golpes de Estado. Nos últimos meses, enfrentava uma crescente crise política e humanitária, com escassez de alimentos e violência nas ruas.
O PIB per capita do país é de US$ 1,6 mil por ano (cerca de R$ 8,5 mil), e cerca de 60% da população vive com menos de US$ 2 por dia (pouco mais de R$ 10).
O Haiti tem 11,3 milhões de habitantes, faz fronteira com a República Dominicana na ilha Hispaniola, no Caribe, e tem um dos menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo: 0,51.
Colonizado em 1492, após a chegada de Cristóvão Colombo à América, o Haiti foi o primeiro país do continente a conquistar a sua independência e a primeira república a ser liderada por negros, quando derrubou o domínio francês no começo do século XIX.
O país já foi invadido e sofreu intervenção dos EUA no século XX e tem um longo histórico de ditadores, como François "Papa Doc" Duvalier e seu filho, Jean-Claude "Baby Doc". A primeira eleição livre do país ocorreu em 1990, mas Jean-Bertrand Aristide foi deposto por um golpe no ano seguinte.
Haiti
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pcom aumento da violência e da pobreza e o governo incapaz de combater ap e de aplicar um programa de imunização

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/07/08/policia-do-haiti-acusa-cidadaos-da-colombia-e-dos-eua-de-envolvimento-no-assassinato-do-presidente.ghtml

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